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A ideia para uma startup é um bom ponto de partida?

A ideia para uma startup é um bom ponto de partida?

Estou nessa estrada há um bom tempo, nesse período já realizei várias palestras sobre esse assunto e a minha preferida chama-se: "Sua ideia não vale quase nada!!". Entenda, não se trata de dizer que você não é criativo ou que não possa ter tido uma ideia bacana, a questão é deixar claro que ideias adquirem valor a medida que são tangibilizadas em alguma coisa real. Esse processo de tangibilização é conhecido no universo das startups como execução e irá requerer de você sangue, suor e lágrimas ao longo da jornada. Você está pronto para o desafio de construir sua startup?

Dito isso, existe um outro ponto que gostaria de destacar a respeito da ideia como ponto de partida, o qual tem se provado ao longo da minha jornada como um ponto de muita relevância. Aprendi, ao longo dos últimos +6 anos atuando nos ecossistemas brasileiro e internacional (USA, EU, LATAM, MENA e Ásia), que ideias são ou podem representar, de forma combinada, as opções abaixo:

1) Hipóteses de solução: ou seja, são expressões de uma combinação grande de fatores como: experiência com o problema, histórico de tentativas de solução, criatividade, visão de mundo, conhecimento do tema, conhecimento de tecnologias, entre outros. Essa combinação de fatores cria, em função de algum gatilho (necessidade, dor ou prazer), uma hipótese de solução para sua startup - mais conhecida como ideia!

2) Ítens descartáveis ou voláteis: devem ser estudadas, testadas até que sejam validadas ou invalidadas. Se invalidadas, precisam ser descartadas o quanto antes pois não se justifica investir recursos em uma hipótese de solução que não foi validada pelo cliente/usuário. Por outro lado, se validadas, precisamos persistir no processo de tangibilização (ou execução) até que possamos evoluir o desenvolvimento da ideia na direção de encontrar o PMF (Product Market Fit) e, posteriormente, alterando-a ainda mais para ajustá-la ao longo do processo de escala (scale up) do negócio. Ou seja, em ambos os casos, a ideia sofrerá mudanças significativas na direção de ser descartada ou intensamente alterada no processo (volatilidade) e, portanto, não podemos ter apego!

3) Pontos de chegada: ou seja, sabe aquele dia que de repente cai uma ficha e você conecta os pontos de alguma coisa e termina dizendo algo como: "tive uma ideia!", "eureka!", "já sei!", etc. Então, isso é um ponto de chegada!! Eu explico, esse é o momento em que você chegou a alguma conclusão sobre algo, geralmente através de algum gatilho, e está experimentando alguma euforia por isso. 

Se você está um pouco irritado comigo pois costuma ter boas ideias, calma!! Persista mais um pouco que entenderá onde quero chegar!!

Por que é importante compreender esses 3 pontos destacados acima? Porque assim você compreenderá que a ideia não é um ativo da sua startup mas, na verdade, uma hipótese de solução de um problema (dor, necessidade ou prazer). Portanto, o importante não é a ideia e sim solucionar o problema. Adicionalmente, toda vez que temos uma hipótese de algo, devemos testar até obtermos uma validação descartando o que não servir como solução do problema.

Para completar essa análise, devemos entender que a ideia é o ponto de chegada e portanto sua maior utilidade é nos ajudar a identificar: a) quais são as perguntas certas a serem feitas; b) para quem fazer essas perguntas; c) testar as respostas em relação a hipótese (ideia); e, por fim, d) analisar em qual intensidade a hipótese (ideia) responde ao problema.

Com essas 4 questões respondidas, saberemos se precisaremos repetir o ciclo ou se temos algo que pode ser de fato testado pelo mercado como proposta de solução. Nesse caso, ainda a ser validado pelo mercado/usuários se de fato encontramos o PMF (Product Market Fit). Se sim, lançar no mercado o produto/serviço para buscar conversão e incremento de vendas, fazendo com que nosso novo problema seja construir e aperfeiçoar o funil de vendas. Se não, voltar e repetir o ciclo até que tenha atingido um produto ou serviço que esteja entre 50 e 60% pronto e que encontre eco no mercado consumidor.

Portanto, a ideia é um ponto de referência para o processo de validação e construção de uma startup e não seu ponto de partida!! O ponto de partida ideal é o resultado de um processo realmente muito bem feito de customer discovery, não direcionado para chegar há uma ideia ou hipótese de solução específica!!

 

The Business Change
Rodrigo de Alvarenga
Rodrigo de Alvarenga Seguir

Mentor, inovador, empreendedor, investidor, apaixonado por educação e professor. Membro de comunidades nacionais e internacionais focadas em empreendedorismo de alto impacto social & tecnológico, como Startup Grind, HIVE & Founder Institute.

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