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Como desenvolver uma startup em 54h?

Como desenvolver uma startup em 54h?

Aprendizados (francos) de um hackathon

Eu nunca tinha entendido direito o que era um hackathon até participar de um.

Ao pesquisar, encontrava basicamente a seguinte definição: maratona de desenvolvimento de startup.

Indignada com a falta de sentido, perguntava pra alguém que já havia participado:

“Dezenas de horas seguidas? sem dormir?”

“Sim, senão, não dá tempo”

“Tá, mas sobre o que eu quiser?”

“Não, depende, o evento pode ter um tema ou o tema é livre”

“Mas sem dormir? e comida?”

Não conseguia visualizar a dinâmica. Então, surgiu minha primeira oportunidade de participar de um.

54h seguidas, dizia o anúncio.

Como amo desafios, não pensei duas vezes antes de me inscrever. Porém, admito que nos dias que antecediam ao evento, comecei a me questionar. E pra melhorar, eu peguei uma gripe.

Procurei no youtube “Como se preparar pra um hackathon” e a mulher dizia “descansem, porque vocês não vão dormir”. Perguntei pra Hanna, co-founder da Jurimetric, onde eu trabalho, que também iria participar, e ela confirmava “é direto, sem dormir”.

Eu nunca fui tão apegada a dormir, mas sou apegada à produtividade.

Quão produtivo seria ficar sem dormir? “É menos relacionado à produtividade, e mais a testar como você lida com pressão e desgaste” disse a Bibiana, também co-founder da Jurimetric, que iria ser mentora no evento.

Eu aceitei que iria morrer. Estava gripada, 54h trabalhando direto, comendo mal e sob estresse lidando com gente desconhecida… eu não iria sobreviver. Tudo bem, eu iria participar de qualquer jeito.

Na semana anterior ao evento, a única e preciosa colaboradora da startup que estou desenvolvendo, a Arbi-ON, seguiu seu caminho separado dos nossos, da Arbi-ON e do meu. Isso me deu ânimo para buscar um possível colaborador no evento.

No dia do evento, descobri que, na verdade, neste hackathon, voltaríamos pra casa pra dormir. YAY!! Isso me empolgou.

19h da noite de sexta-feira chega e também eu no evento. Hackathon focado, mas não exclusivo, nas mulheres. SW Women. Desde o início a atmosfera do evento foi equilibrada entre amigável e séria.

Afinal é uma competição, porém, perfumada de sororidade.

A Hanna e eu queríamos participar da mesma equipe. Queríamos ganhar e já nos conhecemos… teríamos certa vantagem. Muito contra o espírito do hackathon?

Bom, de qualquer modo, chegou o momento de dar ideias. O tema era livre e qualquer uma com ideia poderia ir na frente de todos e apresentar um pitch de 1 minuto.

Várias mulheres foram, inclusive a Hanna. Eu queria ir, mas não tinha nenhuma ideia.

“Vai Luizaaa!” grita a Bibiana dentre as mulheres.

Fiquei pensando e pensando. Sou libra, mas uma amiga minha diz que tenho ascendente em Leão. Eu queria ir lá na frente e dar uma ideia!

Voilà! Pensei em algo!

Eu adoraria poder encontrar pessoas que querem praticar uma língua para eu poder também praticar um idioma com elas.

Fui pra fila e fiz meu pitch. Vários curtiram e recebi muitos votos!! No dia seguinte descobri que minha ideia tinha sido uma das escolhidas.

Porém, na hora das pessoas virem pra minha equipe, somente o Rodrigo veio. Então fomos buscando outras pessoas e nossa equipe tomou corpo. Éramos seis. Acabei não ficando com a Hanna, mas tudo bem.

Sentamos na nossa mesa redonda e começamos a discutir.

Após algumas horas, fomos fazer entrevistas com pessoas para validar o problema. Almoçamos e refletimos sobre o resultado da pesquisa.

Perguntamos a nós mesmos se o questionário não estava enviesado, focado em aprendizado de idiomas, quando, na verdade, também queríamos oferecer experiências…. estávamos perdidos.

Demos um passo atrás e olhamos o que as pessoas pareciam querer e pensamos em algo!

Uma dor que sinto quando viajo é ficar presa a conhecer pontos turísticos. Google, TripAdvisor e blogs não são suficientes pra te levar nos lugares realmente “locais” (aqueles passeios e encontros que somente moradores ou conhecedores da cultura sabem).

Pivotamos!!

Como toda hipótese, esta nossa ideia de que havia um problema deveria ser comprovada.

Check-in 1. Todos compartilharam, em 60 segundos, suas situações. Todos estavam meio perdidos.

Acho incrível, lindo e amedrontador ao mesmo tempo:

Não existe caminho definido ou uma resposta a ser encontrada. Você, com todos os seus medos e inseguranças, é quem tem que desbravar o caminho que funciona e faz sentido pro seu negócio.

Fomos, então, atrás de mais entrevistas, com perguntas mais abertas. Nossa ideia teve muita aprovação. Problema validado.

Voltamos, registramos e começamos a pensar na solução. Escolhemos um aplicativo que iria conectar anfitrião e viajante. Validamos a solução marcando de fato um encontro entre uma pessoa em Curitiba e outra que vai visitar a cidade para fazerem um “rolê raiz”.

Perdemos um integrante no meio do caminho. Sem tempo ruim.

Check-in 2. Ri demais. Eu tive que atualizar todos do nosso desenvolvimento cantando e de costas. Ri demais. Em um momento virei e comecei a fazer um rap.

O negócio começou a tomar corpo. Agora precisávamos pensar no modelo de negócio. O que oferecemos? Quem é nosso cliente? Parcerias? O aplicativo seria pago? Como seria a cobrança? E a divulgação? Quais os canais? Perguntas clássicas do Canvas e outras mais. Debates, quase brigas e concordâncias.

De tempos em tempos algum mentor passava na mesa para verificar o andamento e nos questionar. Eles sempre ressaltavam a monetização. Não queríamos cobrar o aplicativo, queríamos incentivar a relação humana sem segundas intenções entre duas pessoas que se encontram para viver o momento e ter experiência juntos. Iríamos ganhar % das transações realizadas com parceiros (inclusive fechamos duas parcerias) e anúncios.

Gratidão por cada uma e todas as mentoras.

Principalmente a Bibiana, que questionava cada detalhe e me fazia explicar e me desdobrar para a convencer do nosso objetivo. Ela era a mentora mais difícil. Fiquei muito feliz em perceber que tenho contato direto com ela, prefiro aprender com as mais exigentes. No fogo que o ouro é provado.

Jantamos pizza S2

No domingo, dedicamos o tempo a fazer o pitch, estruturar todo o modelo de negócio, o tamanho do mercado, prospectar concorrentes, próximos passos e time.

A Thalita, nossa designer, trabalhou muito, rápido e sob pressão desenhando os templates. Fizemos a logo, mudamos de nome. Agora tínhamos identidade. Éramos a Bóra.

Chegou a hora e mais do que encima da hora, literalmente 18 minutos depois (mas tudo bem, o prazo havia sido prorrogado) a Thalita terminou a apresentação.

Meu coração estava batendo muito forte. Eu deveria apresentar e não tinha tido tempo para treinar.

Fomos ao teatro, mais de 200 pessoas, banca com 10 investidores grandes de Curitiba. Apresentei, terminei no tempo. Respondi as perguntas e fim.

As perguntas que fizeram? Segurança e monetização. Claro.

Foi ótimo!!

Não ganhamos. Tantos outros momentos memoráveis aconteceram! Finalmente, vou me encontrar com a Thalita e talvez a convidar a participar da minha equipe da Arbi-ON. E o Rodrigo, quem desde o primeiro momento botou fé na minha ideia, posso dizer que virou um amigo.

O que aprendi?

  1. Não crie cenários pessimistas na sua cabeça. Independente do que as pessoas falem, vá e veja por si mesmo.
  2. Você (eu) precisa de uma equipe. Muitas vezes me acho autossuficiente e penso(muito errado!) que precisar de alguém é confirmar minha incapacidade de fazer sozinha. Olha que ignorância.
  3. Tudo bem errar. Bom se fosse fácil aprender isso, não aprendi ainda, mas é importante ressaltar.
  4. (Não é novo, no entanto bom lembrar) Meu limite é maior do que eu penso.
  5. Por melhor que seja minha oratória, sempre devo treinar a fala.

Estes são os principais.

Amei ter participado, ter me conhecido em situação de circunstâncias peculiares e conhecido várias outras pessoas pontinhos fora da curva que passam 54h em um evento, quando poderiam estar fazendo qualquer outra coisa mais prazerosa.

Admiro todas e amei ver tantas mulheres guerreiras, participantes e mentoras.

Não sei quando será o próximo, mas irei participar.

Sempre bom se desafiar. E refletir.

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