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Precisamos internacionalizar (e porque não fizemos isso antes!)

Precisamos internacionalizar (e porque não fizemos isso antes!)

Internacionalizar é preciso, porque ainda não começamos? 

Semana passada, voltei de outra viagem ao Vale de Silício – onde tive a oportunidade incrível de palestrar junto com os sócios fundadores da Global Scaling Academy (GSA): Chris Yeh (best-selling & co-autor com o Reid Hoffman do livro Blitzscaling) e Jeff Abbott (ex-executivo, professor, mentor e investidor). Foi sensacional!!

Passei por mais essa experiência fora do Brasil, assim como tenho feito todos os anos, nos últimos 6 anos, pelo menos. Para mim, é fundamental compartilhar um ponto de extrema importância: a diferença de mentalidade  (falamos recentemente sobre isso aqui na comunidade) entre empreendedores do Brasil e a de seus pares em outras partes do mundo; principalmente, em relação ao mindset global.

O tema internacionalização está na moda. São muitos os programas, viagens, missões, etc, sempre divulgando algo como: “venha conhecer o Vale”, “veja de perto como funciona a Google”, “venha se conectar com empreendedores e investidores no lugar que é o ícone da inovação”, etc, etc. Todo esse mercado está em alta nas empresas, contudo, muitas vezes, não passam de viagens de turismo disfarçadas. A questão é que, entre programas sérios e outros não tão sérios, está acontecendo muita coisa no cenário de internacionalização de startups e empresas inovadoras, trazendo várias questões relevantes para os holofotes, nas empresas e na mídia.

Infelizmente, não está no DNA do empreendedor brasileiro internacionalizar, nossa participação mundo afora é pequena, muito concentrada em itens de menor valor agregado ou commodities. Ainda que possamos ter algumas exceções, na verdade, não exportamos tecnologia, serviços tecnológicos, inovação e disrupção, em escala relevante. Co-escrevi um artigo sobre esse tema, que está em processo de publicação fora do Brasil, cujo conteúdo é bastante denso em dados para demonstrar isso.

Estamos acostumados a escutar e acreditar na falácia de que nosso mercado é muito grande, o que muitas vezes torna-se uma desculpa para focar a atenção no mercado nacional. Ok, pode até ser, mas isso depende muito do setor de atividade. Pode até fazer sentido para alimentos & bebidas, higiene, vestuário, se envolve questões culturais muito intrínsecas e agregação de valor próprio do Brasil. No entanto, para o setor de tecnologia e inovação, nosso mercado deixa muito a desejar no que se refere a tamanho, renda disponível, custo de oportunidade de consumo, entre outras questões.

Quando falamos do setor de tecnologia, as barreiras são baixas ou quase inexistentes, ainda que existam, podem ser mais facilmente vencidas na maioria dos casos. Exatamente por isso as startups de mercados maduros têm consistentemente escalado seus negócios para fora de seus países. Tanto almejando ter mais chance de captar recursos, como procurando criar um processo de crescimento mais acelerado no que se refere a aquisição de clientes. Por isso, praticamente não existem barreiras para quem vende softwares, não físicas pelo menos. Microsoft, Google, Hubspot, entre outras, extrapolaram suas fronteiras e se estabeleceram em outros mercados, muitíssimo bem, diga-se de passagem.  

Temos grandes problemas enraizados culturalmente que explicam nosso baixo índice de internacionalização, e, nesse ritmo, cada vez mais vamos perder espaço no novo cenário global por não termos relevância e baixa inserção internacional tecnológica. Empresas e empreendedores não estão preparados para trabalhar no mercado externo, basta ver o número de brasileiros que falam inglês. Só aí, já temos um grande problema.

Não pense que a internacionalização só serve para empresas grandes e acontece apenas em países desenvolvidos. O fluxo de internacionalização ocorre tanto da Europa para Ásia como da África para os Estado Unidos, Oriente Médio, entre outros, e isso dá certo justamente pelo contato com outras culturas, diversidade de ideias, aprendizagem de outras línguas e regras de negócios. Ou seja, tornamos nossas empresas mais fortes e robustas, mais bem preparadas e atrativas ao capital apenas por vencer fronteiras!

Nosso mercado nacional até pode ser grande, mas é fragmentado, tem regras de negócios difíceis, o ambiente também, e curiosamente não buscamos outras estradas, na verdade fazemos um esforço para evitá-la. Porquê?

Precisamos trabalhar para que as empresas e startups brasileiras adotem uma visão mais disruptiva e tecnológica, em detrimento do modelo mental atual. Precisamos de empresas que nasçam com esse viés, outras rotas de desenvolvimento e, preferencialmente, sem limites territoriais.

Se quiser realmente ganhar espaço nesse universo, levar sua startup ou empresa a ser um player global, é preciso ter uma visão grande, querer escalar, e estar disposto a querer comprar e não apenas ser comprado.

Há muito trabalho à frente, riscos e desafios enormes, mas tudo tem que começar em algum lugar, que tal com você e comigo, aqui e hoje?

Que os desbravadores de fronteiras sirvam de exemplo e inspiração para outros empreendedores.

Mãos à obra!

The Business Change
Rodrigo de Alvarenga
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Mentor, inovador, empreendedor, investidor, apaixonado por educação e professor. Membro de comunidades nacionais e internacionais focadas em empreendedorismo de alto impacto social & tecnológico, como Startup Grind, HIVE & Founder Institute.

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